Entrevista: Maicon Clenk
- Gisele Palma Moser

- 4 de ago. de 2023
- 4 min de leitura
Entrevistamos com exclusividade Maicon Clenk, diretor e criador do “Polaris – O Espetáculo no Globo Gigante”, que se apresenta em Florianópolis neste fim de semana, depois do sucesso da estreia da temporada em São Paulo.

O espetáculo de teatro ilusionista integra histórias, ilusionismo, dança, acrobacias e música em uma superprodução repleta de efeitos especiais, como levitações, metamorfoses e uma narrativa sensível, contada com muita fantasia em uma cenografia de um globo de cristal gigante.
FC: O que você destaca como o grande diferencial do seu espetáculo?
Maicon: A linguagem do teatro Ilusionista é algo autoral que eu venho desenvolvendo há mais de 20 anos para alcançar este resultado de Polaris. Ela é única no mundo, uma inovação no ilusionismo. A mágica existe há séculos e continua a encantar pessoas em todas as culturas. No teatro ilusionista a figura do mágico tradicional dá lugar a outras personagens.
Busco criar magia, não truques de mágica.
Não utilizamos a linguagem verbal, mas a visual e corporal, ou seja, universal. Contamos histórias através dos efeitos especiais de ilusionismo, corpos acrobáticos, luzes e cenografias. Abordo temas relacionados ao grande mistério do universo e que desafiam a normalidade humana.
Além deste diferencial, a cenografia de Polaris também é algo inovador. Um globo de cristal gigante. Os efeitos de ilusionismo e todos os elementos do espetáculo são pesquisas e desenvolvimentos originais.
FC: Dentre tantos espetáculos que você já criou, qual foi a sua motivação para este? Pode-se dizer que ele tem uma abordagem mais humana? Conecta-se de alguma forma com alguma experiência/vivência sua?
Maicon: A motivação foi a relação entre a brutalidade e a sensibilidade. Os diferentes pontos de vista sobre a vida. O que é ilusão e o que é realidade para cada um, sendo que todos vivemos em um grande mistério chamado vida.
Muitas vezes a normalidade, as distrações com os inúmeros fazeres, a luta pela sobrevivência e a rotina passam a ser uma fuga para não pensarmos que somos pura magia.
Acredito que quando você tem consciência da morte percebe que a vida é uma ilusão passageira. Humanos não só existem, sabem que existem, mas não sabem como, de onde vieram, pra onde vão, quanto tempo ainda tem. Cada um cria sua realidade de acordo com seu ponto de vista.
É uma abordagem totalmente humana, mas não de forma cotidiana. Queremos despertar pra outros pontos de vista e formas de sentir, perceber a vida. Até porque acredito que a arte como mero entretenimento pode mais embrutecer do que sensibilizar.
Todas as obras que crio partem do que sinto, mas se conectam de alguma forma com todos.
Não abordo temas particulares, mas sim universais, porém, assim como na história de Polaris, eu fui uma criança que sempre percebeu pontos de vista que iam além da normose e fui incompreendido por isso. Tive de fortalecer meu mundo sozinho para que só muito tempo depois pudesse compartilhar parte dele de alguma forma, e o teatro ilusionista é parte disso.
FC: A equipe e a estrutura que estará se apresentando em Florianópolis é a mesma que fez sucesso e encantou o público em São Paulo recentemente? Fale um pouco sobre o elenco e a preparação antes do palco?
Maicon: Sim, é o espetáculo na íntegra que está em turnê nacional. São caminhões e toneladas de equipamentos, luz, uma cenografia grandiosa e delicada. São 12 bailarinos e acrobatas nacionais e internacionais em cena, e uma equipe técnica de mais de 20 profissionais viajando para fazer a magia acontecer, além da equipe fixa.
Os artistas trabalham diariamente em horas de ensaios.
Apenas para montagem da estrutura no teatro são necessários três dias de muito trabalho. Em cada apresentação são quatro horas de preparação antes de entrar em cena.
FC: Como você percebe a reação das crianças e jovens que assistem o seu espetáculo? Isso te conecta com a tua própria infância e a aproximação com as artes?
Maicon: Não vejo diferença entre crianças e adultos. O teatro ilusionista busca reconectar pessoas de todas as idades, gêneros e nacionalidades à magia da vida. Cada um percebe a experiência de uma forma diferente. As crianças saem encantadas, muitos adultos extremamente emocionados pelas conexões que realizam através das imagens do espetáculo. A comunidade surda tem nos dado relatos incríveis sobre a experiência. Não tem como definir, assim como a vida, cada um vai sentir de uma forma diferente.
Eu fui uma criança que aos 4 anos se encantou pelo circo e desde então nunca mais fiz outra coisa da vida que não arte.
Não que isso seja nada fácil, uma dedicação constante, riscos, instabilidades, muito estudo e pesquisa para se poder produzir algo. Poder criar magia e levar um pouquinho do que eu senti e ainda sinto quando conseguimos criar momentos mágicos e profundos, é o que me faz permanecer e acreditar que a arte é um dos bens mais valiosos que podemos ter na terra. O sentir. São experiências de valor que marcam e transformam vidas, ampliam percepções e a sensibilidade. E, ao contrário dos bens materiais, o que se vive em um espetáculo, essa troca, naquele momento único, será levado para sempre por cada um.
Ver o público se emocionar e sair tocado de alguma forma, é o que sem dúvidas faz todo o imenso trabalho e esforço valer a pena.
Poder experienciar juntos por alguns instantes momentos mágicos de vida.

---- Por: Gisele Moser
Agradecimentos: Felipe Almeida/Tipmidia




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