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Entrevista: Tiquequê

  • Foto do escritor: Floripa Cultural
    Floripa Cultural
  • 20 de nov. de 2023
  • 3 min de leitura

No próximo domingo (26/11), Florianópolis recebe o Tiquequê, com apresentação às 15h, no Teatro Ademir Rosa, no CIC. São 20 anos de carreira dedicados ao universo musical da infância com muito estudo e dedicação. A dupla Diana Tatit e Wem nos concedeu uma entrevista exclusiva.



Floripa Cultural: Como você percebe a importância da música pensada para o universo infantil?


Diana: A música que é feita para criança, a chamada canção infantil, é muito bacana que comunica direto com a criança, pois fala de coisas do universo que ela vive, então ela tem uma compreensão maior dessa canção. Por exemplo, quando eu era criança não tinha muita canção infantil, então eu escutava o que o meu pai escutava e também curtia, mas tinham muitas coisas que não faziam o menor sentido. Ainda bem que eu não entendia, até porque algumas letras são inclusive um pouco inadequadas. Acho importante ressaltar que essa música feita para a criança, que comunica diretamente com ela, precisa ser uma música de qualidade; porque o que vemos muito são músicas para criança, mas que não consideram a criança como um sujeito inteligente, que possa apreciar uma complexidade no arranjo, na melodia, na letra, muitas músicas que banalizam e trazem temas muito estereotipados, uma linguagem deveras simplificada, como se a criança precisasse de elementos muito banais para que pudesse entender, e isso não é verdade.


Floripa Cultural: O seu olhar para a infância mudou após a maternidade?


Diana: Mudou sim, no seguinte sentido. Eu era uma profissional que trabalhava com crianças, era professora, já tinha o Tiquequê, tinha uma proximidade com o universo infantil. Mas acho que, quando eu me tornei mãe, esse olhar mudou para uma intimidade maior com cada fase da minha filha, cada idade que ela vai passando, parece que a gente cria um repertório muito extenso. Então, antes de ser mãe, eu tinha um olhar mais profissional, sobretudo nas faixas etárias que eu estava mais acostumada a atuar. Quando mãe, criou esse vínculo, esse laço, esse afeto, essa intimidade, e eu acho que isso tudo teve uma intervenção sobretudo nas canções que eu componho, nas letras que eu faço, que são muito mais íntimas da criança.



Floripa Cultural: Quais são as suas referências artísticas e como elas influenciam na construção musical para o Tiquequê?


Wem: Todas as linguagens artísticas me influenciam muito. No Tiquequê a gente trabalha com várias linguagens artísticas, a dança, a literatura, o teatro, as artes plásticas nos nossos cenários. A gente está sempre muito antenado a todas as possibilidades de criação do ser humano. Claro que o carro chefe que puxa tudo isso é a música e é também a linguagem que eu mais me aprofundei, a que estou no dia a dia trabalhando, e a que mais me encanta também. Dentre as minhas referências, porque são muitas, vou falar sobre a canção brasileira. Essa junção de letra e música é algo muito rico que tem uma profundidade absurda e também uma diversidade muito grande. Daria para ficar uma vida ouvindo grandes músicas, grandes canções feitas aqui no Brasil. E claro que tudo isso, por essa riqueza melódica, rítmica e de letra, isso influencia muito na hora da criação e também é uma grande responsabilidade estar inserido nessa cena.


Floripa Cultural: Qual a importância do trabalho corporal nas músicas do Tiquequê, com gestos e movimentos específicos que as crianças reproduzem?


Wem: Eu acho que a percussão corporal, que são os sons que a gente produz com o corpo, dialoga diretamente com a criança porque são os primeiros sons que a gente faz, imita, a voz, são os primeiros sons que a gente escuta, e está muito ligado com o próprio desenvolvimento da criança. Quando a gente conheceu o trabalho dos Barbatuques, que são a grande referência pra gente na música corporal, a gente logo se encantou, igual muitas pessoas, e a gente quis aprender com eles. Eu mesmo fiz oficinas com os Barbatuques, e a gente foi trazendo cada vez mais para as nossas músicas, seja no palco e também nos nossos arranjos para os discos. Por exemplo, na introdução da música "Festa na floresta" começa com aquele som de boca, eu fiz como se fosse um coral de sons de boca. Porque a gente vê que isso conecta imediatamente à criança. E o mais legal é que todo mundo tem o seu corpo, então todo mundo pode tocar, fazer música a hora que quiser com o seu próprio corpo. E mais legal ainda que cada corpo tem um som diferente, ele é único. Então, a percussão corporal é uma coisa que veio para ficar no Tiquequê, é uma coisa que a gente gosta muito.



 
 
 

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