Teatro Álvaro de Carvalho: um prédio e muitas histórias
- Gisele Palma Moser

- 23 de ago. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de ago. de 2022
Após dois anos e cinco meses fechado, o Teatro Álvaro de Carvalho recebe novamente o público no Centro de Florianópolis.

A semana de reabertura ficará marcada pela apresentação da Camerata Florianópolis (23/08), juntamente com músicos convidados, e pela peça estrelada por Maitê Proença (26 a 28/08), em que aborda o preconceito contra as mulheres, dentre outros temas.
Interessante pensar na presença feminina em palco na reabertura do Teatro, quando no século XIX as sociedades dramáticas da cidade não contavam com mulheres em seu elenco.
“Não era próprio para moças e senhoras de família, os pais e maridos não consentiam que as filhas e esposas fizessem de cômicas, com requebras, declarações de amor, e outros parangolés”, conforme aponta o historiador catarinense Oswaldo Cabral (1979, p.166).
O Teatro, inaugurado oficialmente em 1875, chamava-se Santa Isabel, homenageando a Princesa Isabel, utilizado para espetáculos teatrais e reuniões da Sociedade Abolicionista Diabo a Quatro. Mais tarde, durante o período republicano, passou a ter o nome Álvaro de Carvalho, em homenagem ao tenente e comandante da Marinha Brasileira, que foi também o primeiro dramaturgo catarinense. No mesmo período ocorreu a mudança do nome da cidade, de Desterro para Florianópolis, fazendo referência ao então presidente da República Floriano Peixoto - o que foi considerado uma afronta à população desterrense, que se opunha ao presidente e teve um período conturbado
O TAC, ao longo de sua história, já foi utilizado como quartel, prisão, cinema, local para bailes, reuniões políticas e festivais. Foi somente na década de 1970 que passou a ser de uso exclusivo de espetáculos artísticos e culturais, atualmente administrado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC).
Imagem: Márcio Henrique Martins/ASCOM FCC.
Fontes: Assessoria de Comunicação da Fundação Catarinense de Cultura; CABRAL, Oswaldo. Nossa Senhora do Desterro: Memória. Vol. 2. Florianópolis: Lunardelli, 1979.
SAIBA MAIS...
Melhorias realizadas para a reabertura do TAC:
Foram feitas a descupinização, a recuperação de poltronas, melhorias nos camarins, troca de madeiramento do forro, manutenção do lustre principal, da escada do balcão e em pontos específicos do telhado, instalação de divisórias nas frisas e pintura parcial do prédio.
Espetáculos de reabertura:
No dia 23 de agosto, às 20h, será apresentado o espetáculo Camerata Canção, com ingressos distribuídos gratuitamente e já esgotados. O show terá como destaques alguns dos principais artistas da cena musical catarinense, interpretando suas composições próprias ou de artistas do passado, juntamente com os músicos da Camerata Florianópolis. Na mesma semana, o Teatro recebe o monólogo "O Pior de Mim", com a atriz Maitê Proença, nos dias 26 e 27 de agosto, às 20h; e 28 de agosto, às 18h. Em cena, Maitê revisita momentos marcantes de sua vida. Numa interlocução direta com a plateia, a atriz reflete sobre como sua conturbada história familiar repercutiu na vida profissional, os eventuais bloqueios desenvolvidos e tudo que precisou fazer para se libertar. Ela fala ainda da mulher de 60 anos no Brasil, de machismo, misoginia, dos preconceitos enfrentados.
Breve histórico do Teatro:
O Teatro Álvaro de Carvalho teve sua pedra fundamental lançada em 29 de julho de 1857, mas a inauguração oficial só ocorreu em 7 de setembro de 1875. Mesmo antes disso, entre 1871 e 1872, o Teatro já era utilizado com o nome de Santa Isabel, em homenagem à Princesa Isabel. A partir de 1894, o prédio ganhou o atual nome de Álvaro de Carvalho, uma homenagem ao tenente e comandante da Marinha Brasileira que foi também o primeiro dramaturgo catarinense. O TAC teve, ao longo desse século e meio, inúmeros e, por que não dizer, estranhos usos. Num período bastante conturbado na Ilha, entre 1893 e 1894, houve poucas apresentações no Santa Isabel. Em outubro de 1893, o prédio foi designado como quartel da Guarda Nacional, opositora ao governo provisório da nova República do Brasil. Mais tarde, com a retomada do poder pelo Exército, muitos presos políticos do General Moreira Cesar foram levados e detidos no prédio. O espaço foi também o lugar da primeira exibição de cinema em Florianópolis. Em 1º de novembro de 1901, o inédito cinematógrafo pertencente a Mr Kaurt exibiu a Guerra do Transwaal. No fim da mesma década, foi o equipamento trazido por José Julianelli que exibiu filmes no TAC. Já nos anos 1920 e 1930, o Teatro virou Cine Odeon e Royal. Mágicos, ventríloquos, ilusionistas e telepatas também subiram ao palco do TAC em bailes oferecidos por políticos. Outras festas celebravam as debutantes. Numa época em que não havia cadeiras fixas, seu amplo salão era ideal para esses eventos. Reuniões políticas, leitura de manifestos, festivais beneficentes e até visitas de presidentes ocuparam o espaço. Muito tempo se passou e, desde a década de 1970, o TAC é palco exclusivamente de espetáculos artísticos e culturais que celebram o melhor da produção catarinense. Atualmente, o espaço é administrado pela Fundação Catarinense de Cultura (FCC).




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